Novembro 8, 2008

Decisões nem tão certas assim

Às vezes eu fico esperando um sinal para fazer as coisas, um sinal que nunca vem. Um telefone que nunca toca, palavra que não é dita. E, daí, cansada de esperar, eu resolvi agir sozinha. Talvez não seja o melhor, mas é o caminho que os sinais que não vieram me fizeram tomar.

Voltei aos pensamentos perdidos. Terminei a mono, mas voltei a raciocinar como há 4 anos atrás. Ugh.

Novembro 1, 2008

Não morri!

Faz tempo que eu não posto aqui…já imaginei que ia ser assim desde o princípio.

Aconteceu tanta coisa que nem sei por onde começar…no geral, as coisas foram ótimas, maravilhosas, embora, recentemente, tenha ocorrido um fato que…bah, trocaria todas as coisas boas da minha VIDA para que esse único fator não acontecesse. Nem quero falar nisso pra não chorar. Nem quero falar nisso pra não ter que encarar a realidade. As pessoas próximas sabem o que é, e sabem o quanto eu estou sofrendo, e como, puta merda, mesmo tudo dando certo, eu chego em casa e fico com medo do que irá acontecer agora. Só me resta rezar, pedir, acreditar que a ciência dê um jeito em tudo.

Nem sei porque postei….enfim. To sem tempo.

Agosto 30, 2008

Sobre “vida” e o que realmente importa p. II

Como falei no post passado, os filhotes da Retard iam nascer em breve.

Pois bem, os filhos da Madame nasceram na madrugada de sexta, dia 22, para sábado, dia 23, as 4h45min.

Ontem, sexta, dia 29, eu e minha mãe notamos como a Retard andava quietinha, e já sabíamos que ela teria os bebês em breve. Montamos a caixa dela e deixamos tudo pronto. O problema é que ela estava aninhada numa gaveta da minha mãe, e não seria nada bom ela ter os filhotes lá: a gaveta é daquelas com uns ferrinhos, sabe? Ia ser dificílimo tirar a gata de lá, caso houvesse algum problema, sem falar que ia sujar as roupas e os bebês poderiam cair…. assim, montamos a caixa e torcemos para a Retard sentir-se bem no bercinho.

Enfim, 3h da manhã terminei de assistir um filme e fui escovar os dentes. A minha mãe e meu irmão estavam observando a Retard na gaveta, e, enquanto estou lá, bem feliz, com a boca cheia de espuma da pasta de dente, minha mãe grita: Soraya, Soraya, a Retard tá tendo os filhotinhos!!! Reparem que aqui em casa tudo é tenso e na base da gritaria.

Como já sabia que a gata estava na gaveta, entrei no quarto com a caixa, para trocar a gatinha de lugar antes de maiores problemas. Com o perdão do trocadilho, foi um parto tirar a Retard dali: um dos filhotes já tinha nascido, estava envolto na placenta, com o cordão umbilical preso à mãe. Meu irmão e eu fizemos a operação toda, e foi um sucesso absoluto.

Colocamos a caixa num canto do quarto e observamos por um tempo. Assim como aconteceu com os filhos da Madame, a primeira vista, achei o filhotinho da Retard minúsculo e não acreditei que ele fosse sobreviver. Daí, um tempo depois, ouvimos uns miadinhos: outro filhote. E mais tempo ainda, mais um terceiro filhote. Como já eram mais de 4h, resolvi dormir, pois tinha que acordar cedo hoje.

No meio da madrugada, fui acordada por gritinhos de um bebê: um quarto filhotinho!!!! Ele parecia afastado dos demais, não estava mamando, e a Retard foi uma mãe muito inexperiente, coitadinha: passou a noite inteira de pé, mal posicionada na caixa que forramos para ela. Achei que, de manhã, o filhotinho desgarrado estaria morto, mas não me meti: a natureza sabe o que faz.

Acordei, nem olhei para a caixa, fui para a aula de Italiano. Voltei ao meio dia. Todos os filhotes da Retard, os 4, estavam mamando. Ela estava lindíssima, com uma cara de satisfação e orgulho, quase sorrindo. Ronronava muito alto. Aliás, durante a noite, deu para ouvir os ronrons dela! A Retard é uma gata muito doce, ao contrário da Madame, e sempre foi muito maternal: criou a Nost e a Troika como filhas, apesar da pouca diferença de idade entre as três.

E foi quando eu vi os filhotes limpinhos (quero dizer, sem a placenta e toda aquela gosma em volta) que me deu um aperto no coração: quem me conhece sabe que os gatos amarelos são meus preferidos. Nunca superei a morte do Letão, e lembro que, quando pegamos a Retard, eu cheguei a chorar. É alguma coisa neles, não sei explicar, que me dá um nó na garganta. E a Retard teve uma gata “da sorte” (o tradicional preto, branco e amarelo) e TRÊS filhotinhos amarelos. Comecei a chorar muito. Eu sei que não vamos ficar com a cria, mas eu quero aqueles filhotinhos. Eu não quero ter que me desfazer deles, de jeito nenhum. Um deles é todo amarelo, que nem o Baby. Um tem muito branco e uns pontos amarelos, e um deles lembra muito meu Letão.

Sabe, eu não acredito que, caso o Leto volte para mim (o que eu sei que vai acontecer um dia), será na forma de um gato amarelo: isso é muito óbvio e não acho que essas coisas que vão além da nossa compreensão sejam tão simples. Mas quando eu vi aquele gatinho, eu entendi que eu precisava dele.

É estranho, pois eu adoro os filhotes da Madame, acho eles lindos, sei que conseguremos um lar feliz para todos…mas eu não quero doar os filhotes da Retard. E o mais estranho é que a Madame é “minha”, então, antes dos bebês nascerem, eu acreditei que sofreria mais pela cria dela.

Estou confusa…uma mistura de alegria pela gata e tristeza, dese já, por pensar no que deve ser feito. Mas, por hora, não vou me preocupar com isso: vou pensar na alegria de ver novas criaturinhas chegando, vou pensar na emoção que sinto em ver aquelas micro patinhas com micro unhas, aqueles focinhos rosados, os olhinhos fechados e as orelhinhas viradas. Vou pensar em como fico feliz quando vejo que os filhos da Madame, em uma semana, dobraram de tamanho, e que daqui uma semana, os da Retard também estarão assim.

E tudo culpa do Pretinho de Assis, sex machine, tarado, orgulhoso pai de não um, nem dois nem três, mas SETE filhotinhos!

Outra semana ganha!

Agosto 23, 2008

Sobre “vida” e o que realmente importa

Pretinho de Assis, um dos meus 13 gatos, é uma verdadeira sex machine. Em dezembro do ano passado, ele esteve gravemente doente, os veterinários, inclusive, achavam que era caso perdido. Bom, milagrosamente, no Natal, ele se recuperou e voltou aqui pra casa, salvo e mais elétrico do que nunca. Aliás, o nome dele é uma homenagem a São Francisco de Assis (nota: em fevereiro, visitarei Assis, na Itália. Pagarei promessa pro santo).

Bom, o Pretinho cresceu, “virou mocinho”, e, além dele, tínhamos mais 4 gatas não castradas aqui em casa: a Madame, a Retard, Nost e Troika. Pretinho, a sex machine, o super macho alfa, um adolescente com os hormônios em plena ebulição…engravidou todas elas. Digo, quase todas…a Nost escapou.

Notamos a gravidez da Madame e da Retard muito tarde, e decidimos que elas teriam os filhotes. A Troika, porém, foi castrada semana passada. Eu sei que aborto é feio e mau, mas, como penso, inclusive para seres humanos, é melhor não nascer do que nascer e não ter uma vida digna. Como já estamos com a capacidade felina da casa mais do que estourada, decidimos que os filhotes da Madame e da Retard, assim que desmamados, seriam levados para adoção.

Ontem de noite, eu deveria ter dormido mais cedo, pois hoje de manhã eu teria aula de italiano. Obviamente, não fui dormir…fiquei vendo Prison Break até as 4h. Meu irmão e minha mãe decidiram assistir o último episódio da temporada, e eu fui para a cama. Quando eram umas 15 pras 5, minha mãe me acordou: Soraya, Soraya! A Madame teve os filhotes!!

Há uns tempos a Madame estava procurando cantos na casa para fazer o ninho dela, e eu notei que ela tinha gostado muito de umas caixas-arquivo que têm embaixo duma prateleira no corredor de casa. Não é um bom lugar para uma gata dar a luz: é estreito e apertado, e os riscos de sufocar os filhotes são muito grandes. Óbvio que a Madame teve os bebês em uma das caixa-arquivos.

Bom, como já esperávamos o nascimento (na verdade, esperávamos para daqui uns 7 ou 10 dias), tínhamos uma caixa maior guardada… minha mãe forrou com jornal e eu fui incumbida de transportar a nova mãe e sua cria para o ninho maior. Um dos filhotinhos ainda estava com o cordão umbilical preso à placenta, e sobrou para mim ter que manusear aquele…material orgânico…todo! Sem problemas, sou sangue frio, não tenho nojo nem medo, e nesses momentos, penso se não vale mesmo a pena atirar tudo para cima e ser veterinária…mas enfim, coloquei a gata e seus três gatinhos na caixa maior.

Não consegui dormir. Teria que acordar as 7h40min de qualquer maneira, e achei os bebês muito pequenos…acreditei que não iriam vingar, iriam morrer durante a noite por qualquer razão. A natureza sabe o que faz, pensei eu, mas não aceitei.

Os filhotinhos eram muito…feios. Um filhote de gato nunca é bonito: eles nascem molhados, sujos, parecem ratos, com olhos fechados e patinhas que parecem mãos. É creepy. Um dos nenês é todo branco, o que me deixou super feliz, já que os pais são preto-e-branco. O outro filhote é um pb mais “normal”, com bastante preto, barriga branca…e um terceiro, o que achei mais fashion, é todo branco, mas tem o rabo, a cabeça e uma mancha redondona em cima do lombo, preta.

Às 7h20min, levantei da cama…fui correndo olhar a caixa. Nunca vi a Madame tão feliz na vida. Ela é uma gata assustada, coitada. Os outros gatos não vão muito com a lata dela, ela vive se escondendo e tal. Mas, no ninho, com seus 3 filhotinhos (vivíssimos, graças a Deus!), ela estava ronronando, com um brilho novo no olhar. Aliás, lembro que, ontem de noite, quando transferi os bichos de caixa, ela foi a primeira que coloquei no novo ninho, e não consigo esquecer o misto de pânico e amor que ela tinha nos olhos quando me viu pegando os filhotes…acho que ela pensou que eu pudesse roubá-los, matá-los ou qualquer coisa assim. Foi mágico!

Eu já tinha visto outros gatos nascerem. Em 99, acompanhei cada segundo do nascimento da Filhona, do Sha e do Boizinho, mas sempre é um momento único. E agora, olhando pros filhotinhos da Madame mamando, cheios de fome, penso em tudo que eles ainda tem pela frente. Já sei, de antemão, que vai ser triste e chato ter que levar as crianças para adotar, mas, com outros 13 gatos aqui em casa, os bichanos já estão entrando em conflito uns com os outros, e não quero que eles sofram aqui. Olhando para aqueles ratinhos horrorosos que vão se tornar, em breve, belos gatinhos, e para aquela mãe feliz, carinhosa e paciente (porque haja paciência para amamentar 3), penso que, after all, o que importa mesmo é a vida, independente de sua forma. Nada no mundo paga o som do ronrom de uma gata mãe, ou o som dos miados dos seus filhotinhos. Nada, no mundo, paga a expressão de orgulho da Madame ou o apego à vida dos filhos dela (apego esse que herdaram do pai, o Pretinho de Assis, diga-se de passagem).

Ganhei o dia. Aliás, ganhei a semana! Agora, esperarei ansiosa o nascimento dos filhotes da Retard.

Agosto 13, 2008

Minha testa está cheia de espinhas

E eu estou com quase 21 anos de idade.  Talvez isso seja a externalização (e creio que “externalização” seja um neologismo) de como eu me sinto.

A verdade é que está se abatendo sobre mim uma crise do 1/4 de idade. Sabe a crise da meia idade? Pois é…vamos aceitar que, nos tempos-pós-modernos-de-super-valorização-da-juventude-eterna, existe uma crise de um quarto de idade. E isso não quer dizer que eu vá viver apenas 80 anos, que fique bem claro.

Para certos aspectos, eu ainda me sinto uma adolescente abobada. Lembro, com mais saudades do que eu imaginei que ficaria, do meu segundo grau, principalmente do meu terceiro ano. 2004 foi um ano mágico, onde eu aprendi a lidar com problemas maiores do que as reclamações dignas de teenagers, onde eu tinha um baú imenso de esperança, projetos, idéias, onde eu amava livremente qualquer coisa, e odiava na mesma proporção, sem culpa. E, coincidentemente, foi o ano que eu mais escrevi, escrevi, escrevi. Eu começo a ter certeza daquilo que me disseram, que as coisas nunca mais serão as mesmas, e essa certeza me entristece. Passou rápido demais, after all. Aos 16 anos, eu tinha várias espinhas na testa, eu usava mais maquiagem, eu era mais tímida, eu lia muito mais…eu era aquilo que, hoje, chamaria de “estranho”, mas, vendo agora, era divertido.

Agora, com 20 anos (e meio), estou no último ano da faculdade que eu escolhi, no lugar que eu escolhi e sempre quis estudar. Meus medos são muito mais concretos, e parece que eu não tenho mais a mesma disposição que eu tinha antes para enfrentar esses medos. São medos adultos, reais, comuns. São medos desagradáveis.

A questão é que eu não consigo me ver com 20, nem com 16. Para algumas coisas, eu me sinto tão infantil e despreparada, e para outras, parece que eu já envelheci até demais. Poxa vida, no passado, as mulheres da minha idade já estavam casadas e com filhos… e eu não pretendo casar nem ter filhos pelos próximos 15 anos. O pessoal da minha idade já planeja um futuro pós-faculdade, um trabalho, um emprego, quiçá uma família, e eu aqui, pensando na próxima faculdade que cursarei…como se eu ainda tivesse tudo por fazer, quando na verdade, eu já fiz muito e nada ao mesmo tempo.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! Que desorganização, que bagunça! Pra mim, resta me consolar com as dicas xxxxperrrtas dos meus professores e amigos: “calaboca, Soraya. Enquanto todo mundo tá começando com 20, tu tá reclamando que já está no fim. Começa tudo de novo, tu é novinha”. Pois é, eu sou “novinha”. Novinha com um humor de velha, but still “novinha”. Blé.

Julho 16, 2008

Fodam-se as Olimpíadas

Sempre gostei dos Jogos Olímpicos. Não pelo esporte, afinal, estou longe de ser uma atleta, mas gosto de ver países sendo representados, gosto da abertura, do desfile com as bandeiras, de escutar os hinos…enfim, gosto das características que fazem das Olimpíadas um evento que celebra a diversidade das culturas, se é que se pode falar assim. Mas em 2008, não assistirei nada. Nem uma partida de vôlei, nem uma luta de esgrima, nenhuma prova de atletismo e nem mesmo as cerimônias de abertura e encerramento. Porque? Por causa da China.

Tenho um sentimento muito forte de antropólogo-tosco: costumo relativizar tudo, demais, até. Costumo acreditar que muitas barbaridades são reflexos culturais de um povo, e devem ser respeitados, mesmo que não concordemos. Porém, eu não posso concordar com a pagação-de-pau por parte dos demais países em torno da China.

Falam em “país em desenvolvimento”, quando é um país com mais desigualdade social que o Brasil. Um país onde pouquíssimos vivem bem, e a imensa maioria (imensa mesmo, quando falamos do país mais populoso do mundo) morre de fome nos campos. Será que tão rápido assim nos esquecemos da “revolução cultural” do Mao, da ocupação do Tibet e destruição dos templos, das bebês chinesas que são mortas todos os dias por seus pais que desejam um filho homem, dos pandas que são maltratados? Para mim, a China está muito longe de ser desenvolvida. Não é uma questão cultural nem econômica, é uma questão quase moral. Eu sei que existem pessoas boas e ruins de qualquer cor, credo e nacionalidade, e também sei que muitas das coisas que ocorrem na China são, antes de ser culpa das pessoas, culpa do governo, culpa do imenso governo comunista chinês.

Enfim, ontem estava lendo notícias por aí e uma delas me chamou a atenção: Vovó chinesa protege cães e gatos da ‘limpeza’ causada pelas Olimpíadas – ‘vovó Ding’ recolheu 250 cães e gatos em sua pequena casa em Pequim. Eles foram levados a ela quando as autoridades ‘limparam’ a cidade dos animais de rua.” . Não que seja consolador, mas me lembrou muito aquela história da lótus que nasce da lama: no meio de tanta podridão, alguma coisa bonita. Claro que 250 é um número minúsculo, mas alguém está fazendo alguma coisa. Mas o que me deixa contrariada é o fato de estar acontecendo uma LIMPEZA, ou seja, estão EXTERMINANDO animais de rua, para deixar as cidades LIMPAS para os JOGOS OLÍMPICOS!

Daí eu páro e penso nos trilhões de dólares que são gastos em anúncios publicitários, no investimento de empresas e de países para enviar atletas, nos turistas que vão prestigiar os jogos… e me dou o direito de tirar uma conclusão talvez exagerada, mas que representa bem o que penso: cada vez que você assistir na tv um jogo dessas Olimpíadas, lembre que um cão ou gato morreu para deixar o país “limpo”. Cada vez que você for comprar seu copinho das Olimpíadas no McDonalds, ou usar uma roupa de algum patrocinador, ou qualquer coisa que tenha ligação com essa barbárie olímpica que está sendo promovida, olhe para o cão ou gato que está dormindo do seu lado e pense que um igual, ou bem parecido, morreu. Pense nos olhos e nos focinhos, e tente imaginar a dor e o medo desses seres indefesos, mortos a pauladas, para “limpar” o país. Por que um evento que deveria celebrar a paz e a união tem um fundo tão violento? Ou será que animais de rua são tão “nada” assim, uma sujeira, e devem ser exterminados? Os chineses vão exterminar também os moradores de rua?

Sabe de uma coisa? FODAM-SE AS OLIMPÍADAS.

Link da matéria: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL646979-5602,00.html

Julho 8, 2008

600ml a mais – parte II

Hoje, depois que tomei banho e troquei meus curativos, resolvi provar algumas blusas minhas. Escolhi principalmente aquelas que, ao vestir, me causavam um grande desconforto por ficarem “vazias demais”. Primeiro, o vestido rosa que usei na formatura do meu irmão…ficou super bem. Depois, uma blusa de oncinha que eu tenho e adoro, mas só usava com sutiã de enchimento…me amei nela! Então, um biquine…nem acredito que era eu! E resolvi fazer o teste de fogo: tentar colocar um sutiã antigo…e serviu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!111111111111oneoneeleven

Sim!!!!

Apesar de ter dobrado, praticamente, o tamanho da minha comissão de frente, creio que não terei que comprar um novo estoque de sutiãs! Why? Bom, por causa da largura das minhas costas, sempre usei determinado tamanho, só que o bojo ficava meio vazio. Era deprimente, mas era a única opção. Hoje, notei que, obviamente, a largura das costas continua a mesma, mas o bojo ficou cheio! Alegria, alegria! Me sinto como uma criança que ganhou um brinquedo novo hahahahah Aliás, fiquei super feliz com isso, já que adoro lingierie e tenho vários sutiãs fofinhos que não queria ter que me desfazer!

Um dos meus maiores medos pré-operação era ficar com um perfil “pomba embuchada”, sabe? Peitos imensos quase no pescoço. Já estou bem acima do peso, e qualquer volume extra em mim poderia ficar desastroso. Na verdade, não queria ficar que nem a Barbie: queria apenas ter peitos legais para poder usar uma blusa ou um biquine sem me sentir menos mulher (e, acredite, esse pensamento sempre me passava pela cabeça ao provar uma roupa bonita e essa roupa sobrar na altura do busto: não sou suficientemente mulher). Aliás, como acho que já falei no post anterior, o tamanho ficou perfeito para mim! Não aparento mais gorda e, de roupa, não faz muita diferença…só que EU sei que os peitos agora são meus, e não comprados em 5x na Renner por 29,90.

Nunca pensei que uma parte do meu corpo que sempre me causou desconforto e tristeza pudesse me fazer tão feliz um dia!

E como hoje foi segunda, e não adianta nada ter peitos bonitos e um barrigão indecente, resolvi começar uma dieta. Fico de péssimo humor quando não posso me atirar na comida, mas é por uma nobre causa, e eu costumo encarar bem os desafios, se esses me trouxerem algo bom em troca!

Have a nice week ;D

Julho 5, 2008

600ml a mais!

Ahh, as primeiras impressões do meu novo mundo de siliconada! Vou começar contando a cirurgia!

Cheguei no Hospital lá pelas 6h20min da manhã, passei toda aquela parte burocrática, e lá pelas 7h40min, me chamaram! Medomedomedo. Fui para uma salinha onde me despi e coloquei minha “roupinha de bloco cirúrgico”: camisola (aquela que fica com a bunda de fora), sapatilhas descartáveis, e,como estava frio, uma coisa tipo uma capa por cima da camisola. Antes de ir para o hospital, tirei todos os meus piercings, pois os médicos agora usam um cauterizador elétrico para cauterizar os vasos, e qualquer metal no meu corpo poderia me causar choque.

Entrei no bloco…era um lugar caótico, com gente correndo, pessoas de verde-e-branco, e fui diriga até a “minha” sala de cirurgia. Lá estava o meu médico, o anestesista e mais umas outras pessoas. Mandaram eu tirar a roupa pra fazer as fotos do “antes”. Morri de vergonha. Reclamei “ah, tenho que tirar tudo mesmo???”, mas enfim, tirei, e as fotos foram batidas.

Daí deitei na caminha lá. O anestesista, que eu esqueci o nome, era super legal. Ele se tratava na terceira pessoa. Tive que deitar numa pose meio “Jesus Cristo na Cruz”. Ele amarrou meu braço esquerdo com aquelas borrachinhas para saltar a veia, e começou a dar tapas na minha mão pra veia subir. Enquanto isso, ele conversava comigo. Elogiou Havokinho, o dragão que eu tenho tatuado, e comentou algo sobre tatuagens. Perguntou “tu sempre foi bonita assim ou é agora?”. Como eu sempre me achei feia, respondi sinceramente “não, é agora… ainda bem que a gente cresce, né?” “é verdade”. Daí ele veio com uma tesoura e perguntou se dava pra cortar a fitinha do Senhor do Bom Fim que eu tinha no braço. “Corta aí”, disse eu. Nisso, o cirurgião perguntou “tu pediu pra essa fitinha pra ganhar próteses de silicone?”, daí eu ri e disse que não. Então, o anestesista enfiou uma agulha na minha mão, e ela começou a arder um pouco quando o remédio começou a fluir. Fui operada com anestesia local e sedação.

E então, eu dormi. Não lembro de mais NADA. Absolutamente nada. Foi fantástico!!! Não sei como tem gente que perde tempo bebendo se tomar anestesia é muito mais legal!

Bom, o próximo take que eu lembro, mas mesmo assim, em flashes pela minha cabeça, é da minha mãe perguntando como eu tava. Diz ela que eu só falei que uma das minhas sapatilhazinhas tinha caído, e eu levantei a blusa pra mostrar. Já tinham colocado em mim o sutiã de sustentação.

Daí já deviam ser umas 11h quando acordei na sala de recuperação. Um enfermeiro tava sempre lá tirando minha pressão pela perna, e isso já estava me irritando. Queria continuar dormindo – aliás, eu não pago imposto pra dormir, isso todos sabem! Logo veio meu almoço-de-hospital: uma canjinha e uma gelatina. Comi, afinal, não comia nada desde as 22h da noite anterior. Perguntei para o enfermeiro quando eu ia embora, e ele disse “ah, daqui a pouco…só tem que tomar o soro”. Olhei pro soro, aquela garrafinha de plástico tava quase cheia, e pensei “puta merda, vou ficar até as 4 da tarde aqui”. Então me acomodei na cama de novo e ia dormir….eis que o enfermeiro surge de novo: não dorme que daqui a pouco tu vai sair!

Lá pelas 11h30min, o enfermeio veio com minhas roupas e disse que eu podia me vestir para ter alta. Entrei num banheirinho com outra enfermeira, e ela me ajudou a colocar minha roupa. Aliás, eu me abaixei pra colocar os tênis e ela não deixou: “não faz esforço, deixa que eu boto pra ti”. Ela botou fora minhas sapatilhazinhas descartáveis e eu reclamei “ahh, eu queria ficar com elas!”, e então a enfermeira pegou um par novinho pra mim! Todos muito legais lá no hospital!

Bom, agora a parte que todos perguntam, sobre dor: quando acordei no hospital, a “dor” que eu sentia era a mesma de quando tu faz exercício físico sem aquecimento, sabe? Não dói, só fica dolorido. Não doi MESMO. Não sei se eu que sou resistente ou o quê, só sei que não doi.

Saí do hospital com meus pais e fui almoçar no Praia de Belas. Comprei os remédios por lá mesmo e vim pra casa, onde dormir horas e horas :D

Quando acordei após essas horas de sono, acho que já eram umas 19h, estava com os peitos doloridos. Levantei a blusa para olhar e estava sangrando um pouco. Então minha mãe limpou e tapou a parte com sangue, eu tomei um antiinflamatório que estava receitado, e fiquei tranquila de novo. Não dói.

Na verdade, a pior parte é quando eu levanto da cama. Aliás, a pior parte é não poder dormir de lado, e depois disso é quando eu levanto. Quando eu levanto, parece que tem um peso a mais, daí eu seguro os peitos e solto devagar. É engraçado até….mas mesmo assim, não dói nada.

Por enquanto, ainda está muito inchado, enorme, tenho medo de olhar (apesar de não sentir dor, odeio ver meu corpo machucado – é uma mistura de dor psicológica com respeito pela minha estrutura corporal). Mas acho que o tamanho vai ficar perfeito! Na verdade, se eu tivesse escolhido o tamanho, não teria ficado tão bom! 300ml a mais de peito em cada lado!

Estou MUITO feliz, muito mesmo! Mal posso esperar para começar a comprar sutiãs e biquines novos! :D

Agora vou tentar inventar um jeito de tomar banho sem molhar as ataduras e vou no salão lavar e secar o cabelo, já que não posso lavar sozinha. Odeio ficar inválida, mas é por uma boa causa…e eu não sinto dor!

Obrigada pelos comentários de sorte, pelos telefonemas e afins!

Love,

Julho 4, 2008

Independência!

Em 4 de Julho de 1776, foi promulgada a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Ela é é inspirada nos ideais do Iluminismo e defende a liberdade individual e o respeito aos Direitos Fundamentais do ser humano. Hoje, ao pensar em USA, pensamos em dominação cultural e, ao pensar em “a mulher que é o sonho americano”, temos a Barbie e a Pamela Anderson.

E foi pensando em “liberdade” (a minha liberdade, uma aceitação melhor do meu próprio corpo) e em ícones americanos (peitos grandes) que eu escolhi o dia 4 de Julho para colocar minhas próteses de silicone.Em menos de 12h, estarei iniciando minha cirurgia, e vou alcançar uma coisa que desejo desde os 13 anos. Me imaginem entrando na sala ao som de The Star Spangled Banner, por favor.

Sempre tive uma relação conturbada com minha auto-imagem. Sempre fui a guria gorda da sala, a tímida que preferia ficar num canto lendo, com dentes pra fora e cabelo difícil. Ao mesmo tempo, sempre tive uma consciência do meu corpo como estrutura mutável, transformável, e nunca vi como pecado qualquer tipo de modificação corporal. Acho que todos temos o direito de controlar nosso corpo e fazer dele a embalagem apropriada para nosso espírito, e por isso, não julgo (e espero não ser julgada) quanto a aparência. Cada um é dono de si.

Aos 14 anos fiz minha primeira tatuagem, no ombro direito, e só a partir daí passei a usar blusas com os ombros de fora. O poder de mexer no meu corpo me trouxe auto confiança, segurança, aceitação. Ao mesmo tempo, usei meu corpo para representar as coisas boas que me aconteceram: não tenho piercings ou tatuagens sem uma história por trás.

Então, mais do que nunca, acredito que próteses de silicone serão o melhor símbolo das mudanças pelas quais estou passando agora, e mais do que isso, me trarão ainda mais confiança em mim mesma.

Agradeço ao meu pai, que me deu esse grande presente de formatura, à minha mãe, que acompanhará todo o processo, e a Deus, que me fez corajosa e com uma tolerância incrível para dor.

Torçam por mim amanhã!

Bejotchau.

Junho 30, 2008

Mês 7

Bah, já estamos praticamente em julho. O ano voou.

Sexta feira terminaram minhas aulas: estou com um pé inteiro fincado no último semestre da faculdade. Quando eu terminei de me despedir dos meus colegas, me dei conta de que aquela foi a última vez que faríamos isso: iríamos dizer “tchau, até depois das férias”. Nossa, não esperava ficar tão chocada com isso. Fiquei triste, na verdade.

É estranho, pois desde os meus 13 anos sempre quis estudar na FAMECOS, e agora estou conseguindo terminar a faculdade que eu escolhi. E tudo passou tão rápido…. Claro, tive inúmeras decepções com o curso, com as pessoas, com minhas escolhas, mas se hoje tivesse que fazer tudo de novo, eu tenho certeza que faria. (In)felizmente, não me enxergo fazendo nada além do que eu faço. Quero dizer, enxergo sim, tanto é que em agosto, voltarei pra UFRGS, mas o que quero dizer é que não consigo me imaginar escolhendo nenhuma outra área além da Comunicação. E talvez esse tenha sido meu maior problema – eu sempre vi a comunicação como uma ciência, uma arte, e não como uma forma de ganhar dinheiro. Eu escolhi esse caminho por amor, por vocação e por inocência minha. Hoje, sinceramente, não me imagino no trabalho “normal” de publicitário. Não me vejo numa agência e não quero fazer parte desse mundo. Mas nunca deixei de me ver fazendo Comunicação (com C maiúsculo). O que me encanta até hoje é o estudo, as particularidades, as características, a magia em torno dela…bom, e é por isso que eu resolvi seguir o tal caminho acadêmico, mesmo que seja mais complicado.

No mais, tive um fim de semana comum. Pensei sobre coisas, inciei algumas, fiquei chateada com outras…aquilo de sempre. Estou nervosa.

E essa semana vai ser, no mínimo, singular.

Ciao!